PARAR DE ATUAR V – HAROLD GUSKIN

2. EXPLORANDO O PAPEL PARA REVELAR A PERSONAGEM

“Quebre o ritmo:

Os atores sempre me perguntaram como fazer personagens diferentes de si mesmos. Bom, toda personagem tem de ser a gente ou ela não será crível. Vamos atuar. Para fazer personagens que sejam diferentes da gente, de uma maneira crível e interessante, temos de aumentar nosso potencial como atores. Para isso, temos que nos jogar em ritmos não familiares e até mesmo desconfortáveis, que fazem com que nos sintamos realmente diferentes. Quando não aceito o ritmo normal do ator e o levo para cadências novas e desconhecidas, ele encontra aspectos internos que desconhecia. E esses aspectos se tornam familiares, como se abrisse para um outro que está vivendo dentro dele. O ator tem estar sempre reciclando, em cada papel. Ele deve ter a coragem de começar a trabalhar numa nova personagem como se ele não soubesse nada sobre ela, nada sobre si mesmo – nada sobre como atuar. Ele precisa aceitar o fato de que não sabe para onde está indo com o novo texto, como vai descobrir e fazer uma nova personagem. Desapegar-se de velhos padrões de atuação e truques é quebrar os seus próprios ritmos de fala e fiscalidade. (…) É curioso quando nos aproximamos de uma nova personagem, achamos que naturalmente vamos mudar o nosso ritmo. Mas, na verdade, raramente mudamos, porque ficamos com medo de perder aquilo que sempre funcionou para nós. Isso fica mais difícil nos atores de maior sucesso, porque parece que sempre lhe dão os mesmos papéis. Mas cada personagem é diferente. Temos que descobrir a diferença quebrando nossos ritmos confortáveis e criando um novo para cada personagem. E muitas vezes precisamos fazer isso conscientemente.

(Créditos: Fotógrafo Brunno Rangel, Stylist Liliana Albuquerque)

Deixe o texto guiar a pesquisa:

Como já disse, não sou contra a pesquisa no processo de trabalho do ator para uma personagem. A pesquisa sempre é necessária para nos ensinar coisas específicas que temos que saber, porque elas são o que a personagem conhece. Mas o ator deve usar a sua pesquisa para alimentar a sua exploração, e não para limitar sua intuição e imaginação. A pesquisa deve ser usada com bom senso, e o ator deve se apoiar no texto para guiá-lo. O texto nos diz qual é a pesquisa necessária e também quando temos que desistir delas confiar no texto. Senão a pesquisa pode afundar a personagem, obscurecendo o sentido de sua natureza específica. (…) O processo criativo precisa desistir da lógica normal. Temos de estar num estado de erro e crítica, no qual conexões diferentes podem ser feitas. A criatividade acontece quando coisas que parecem não pertencer umas às outras formam uma coisa nova, ao se juntarem. É o que chamo de “conclusão ilógica”. É isso que queremos em nossa atuação, personagens que não sejam só reconhecíeis, mas também surpreendentes, inesperadas, estimulantes.”

RESUMO DO LIVRO PARAR DE ATUAR DE HAROL GUSKIN

 Beijinhos

Postado por:

Maytê Piragibe